Uma visita ao Museu da Escravidão na Cidade do Cabo (Iziko Slave Lodge Cape Town)

escrito porCarina Takahama 3 de maio de 2017
Museus são uma sessão obrigatória nas minhas viagens pois através deles podemos ter uma ideia da história do local, da cultura e das pessoas.
O primeiro museu que Visitei na Cidade do Cabo foi o museu da escravidão (Iziko Museum Slave Lodge).
Situado basicamente ao lado do Companys Garden ele é uma das construções mais antigas da África do Sul e serviu de casa, se pode-se assim dizer, para aproximadamente mil escravos.  Depois disso também foi um bordel, uma prisão, um correio, uma biblioteca e até serviu como Corte Suprema.
 
E hoje o  museu conta a longa história  de escravidão que se iniciou em 1652 junto com o colonialismo Holandês. Foram pouco mais de 400 Anos de Escravidão que esse país sofreu e que deixou algumas marcas bem profundas até hoje são claramente visíveis.


A escravidão e Apartheid: um pouco de história

A escravidão teve início junto com o colonialismo, em 1652.
Antes ocorriam trocas entre os colonos holandeses e os habitantes africanos, na maioria trocaram seu trabalho na lavoura, terras, gado por armas de fogo. Mas posteriormente, começaram a trocar escravos por armas de fogo.
A África serviu de fonte de escravos enviados para a América (inclusive para o Brasil) e também foi rota de comercialização dos mesmos, que também foram trazidos do subcontinente Indiano, Madagascar e rotas de passagem.
Mesmo após a abolição da escravatura, em 1807 as pessoas negras continuaram “trabalhando” para os europeus, porém com melhores tratamentos como comida melhor e sem punições severas, para não fugirem ou adoecerem.
Toda essa história que resumi reflete até os dias de hoje, mesmo após o Apartheid (1948).
Apartheid, do Afrikaans, apartness (separação). Foi uma ideologia que queria a separação em diferentes grupos raciais. Isso significava separar tudo: viver, se desenvolver, socializar e até casar.
Muitos foram contra, inclusive de diversos grupos sociais. Até ser fundado o Congresso National de Nativos Sul-africanos, que veio na defesa das pessoas negras a partir de protestos pacíficos onde incentivavam as pessoas a violarem as leis impostas no Apartheid (como usar banheiros exclusivos de brancos, usar transporte voltado para brancos) e se oferecerem para serem presos.
Uma figura chave em toda essa história foi Nelson Mandela, que fez parte do Congresso Nacional de Nativos Sul-africanos, defendeu de forma pacífica os interesses anti-apartheid, foi preso e depois se tornou presidente da África do Sul em 1999.


Atualmente

Ainda há bairros de negros e brancos, não vejo pessoas negras junto de pessoas brancas (isso é muito raro), há trabalhos mais voltados para pessoas negras e outros para pessoas brancas, bem como bares e restaurantes.
Para quem visita, o Museu é composto por dois andares ricamente divididos:


1º andar:  escravidão na África do Sul

No primeiro andar é possível ter uma noção e até vivenciar como os negros eram tratados e transportados.
Um pedaço de casco de barco em um ambiente fechado com o som ao fundo de negros cantando enquanto eram transportados por meses no porão de navios.

Estas são algemas que foram utilizadas para manter os escravos presos.

Maquete do navio negreiro e homenagem aos escravos

Essa segunda foto, mostra a maquete de um navio negreiro usado para capturar e transportar as pessoas capturadas e com os papéis brancos estão escritos os nomes de alguns escravos que fizeram parte da história. 
Uma segunda parte do primeiro andar é dedicada à época do Apartheid. Há panfletos, fotos, homenagens e notícias da época. Dá para sentir o quão intenso foram esses anos e o quanto tiveram que lutar contra para uma sociedade mais igualitária.


2º andar: cultura antiga e contemporânea africana, Egito, China, Grécia e Roma

Durante a escravidão, os navios passavam por diversos continentes e a troca de cultura foi muito intensa durante essa época. O Museu também abriga artefatos de diversos países como:

  • Indonésia
  • China
  • Egito
  • Índia
  • Malásia
  • Rússia
  • Inglaterra
  • etc.

Objetos de decoração da China antiga

Artefatos do antigo Egito

 

 INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

FUNCIONAMENTO
De segunda a sábado das 10 h às 17 h
INGRESSO
  • Adultos R30
  • 6-18 anos R15
  • Ticket Família (2 adultos & 2 crianças) R75
  • Abaixo de 5 anos – entrada franca

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11 comentários
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11 comentários

Diego Arena 5 de maio de 2017 at 03:13

Sempre que viajo procuro conhecer o maior numero de museus possíveis também.
Confesso que achei meio pesado esse museu. Mas valeu a dica!

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Rafaella 5 de maio de 2017 at 04:44

Que dica legal! Adorei. Não conheço ainda. Esta na minha listinha. =)

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Alexandra 5 de maio de 2017 at 12:22

Adoro ir visitar museus. Esse que partilha connosco parece rico em historia, é o tipo de museu em que se sente o sofrimento.
Obrigado por a partilha, as fotos são lindas.
Beijos

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Gustavo Mendes 6 de maio de 2017 at 03:56

Uau, que post incrível. Primeiramente, parabéns pelo peso histórico que você trás para suas postagens, isso é simplesmente maravilhoso.
É muito interessante de ver como fatos históricos antigos deixaram rastros em toda uma sociedade. Não conhecia muito da ideologia do Apartheid, mas agora tenho mais ideia do que tenha sido. Obrigado por esse post bastante útil.

Beijos

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Carla 6 de maio de 2017 at 04:32

Muito interessante. Não conheci esse museu quando visitei a Cidade do Cabo mas imagino que deve ter uma atmosfera semelhante ao Museu do Apartheid de Joanesburgo, que recomendo muito a visita!

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Carina Takahama 7 de agosto de 2017 at 12:52

Oi, Carla. Preciso conhecer o Museu do Apartheid! Infelizmente não turistei em JNB ainda e essa é uma das coisas que quero muito fazer por lá! =)

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Alessandra 6 de maio de 2017 at 06:54

Amo locais históricos reais! Sou fanática por histórias das antigas. Me chamam muito a atenção!

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Atraentemente Evandro 7 de maio de 2017 at 20:49

Nós estudamos a escravidão na época da escola, mas nada como visitar e ver com os próprios olhos a situação dos negros durante essa época, ver os instrumentos de tortura ou mesmo essa experiência de se sentir nos porões de um navio negreiro. Deve ser um lugar fantástico que nos fará pessoas melhores, mais conscientes. É uma pena que ainda exista nos dias de hoje lugares com essa separação racial, infelizmente ainda vemos muito por aí. Ótimo post e dicas.

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Death Life 8 de maio de 2017 at 12:39

Queria muito visitar esse museu. Eu admiro muito a luta de nós negros pelos direitos iguais aos brancos afinal não importa a cor, somos todos iguais. 🙂 Mas ao mesmo tempo me entristece ao olhar isso. ;–; Meus antepassados sofreram muito para que eu tivesse os mesmos direitos, para sufocar o preconceito.

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Amanda Caldas 8 de maio de 2017 at 14:43

Hey!

Essa deve ser uma visita extremamente incrível de se realizar, gosto muito de ir à museus e conhecer mais sobre a história. Pelas fotos ele parece ter muito conteúdo, infelizmente não é aqui do lado então a visita terá de esperar.

Bjos.

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Carina Takahama 7 de agosto de 2017 at 12:51

Oi, Amanda! Sim, o museu é incrível e dá para fazer muitas coisas aqui na Cidade do Cabo.

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